{"id":1571,"date":"2016-12-06T14:11:47","date_gmt":"2016-12-06T16:11:47","guid":{"rendered":"https:\/\/globalattitude.org.br\/idioma-documentos-e-desinformacao-como-os-refugiados-enfrentam-o-mercado-de-trabalho-no-brasil\/"},"modified":"2023-03-10T10:15:56","modified_gmt":"2023-03-10T13:15:56","slug":"idioma-documentos-e-desinformacao-como-os-refugiados-enfrentam-o-mercado-de-trabalho-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/globalattitude.org.br\/en\/idioma-documentos-e-desinformacao-como-os-refugiados-enfrentam-o-mercado-de-trabalho-no-brasil\/","title":{"rendered":"Idioma, documentos e desinforma\u00e7\u00e3o: como os refugiados enfrentam o mercado de trabalho no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s tra\u00e7ar um incans\u00e1vel caminho pela sobreviv\u00eancia, os refugiados que chegam ao Brasil enfrentam um novo desafio para se inserir na sociedade: encontrar emprego regularizado. As dificuldades come\u00e7am j\u00e1 no dom\u00ednio do idioma e v\u00e3o at\u00e9 \u00e0s empresas que, muitas vezes por desinforma\u00e7\u00e3o, t\u00eam receio em acolher refugiados na sua equipe de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Desde 1997, a <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/L9474.htm\">lei brasileira de ref\u00fagio<\/a> garante aos refugiados e solicitantes a emiss\u00e3o da Carteira de Trabalho, do Registro Nacional de Estrangeiro (RNE) e do Cadastro de Pessoa F\u00edsica (CPF). Em 2013, o Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) e o <a href=\"http:\/\/www.acnur.org\/portugues\/o-acnur\/\">Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados<\/a> (Acnur) assinaram um Memorando de Entendimento, que promove a inser\u00e7\u00e3o de refugiados e solicitantes de ref\u00fagio no mercado de trabalho atrav\u00e9s de medidas de apoio para que abram seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios e a inser\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es e programas como abono salarial, microcr\u00e9dito produtivo orientado e qualifica\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Seguindo esta linha de incentivo, o <a href=\"http:\/\/refugiadosnobrasil.com\/\">Programa de Apoio para a Recoloca\u00e7\u00e3o dos Refugiados<\/a> (Parr), criado por Jo\u00e3o Marques Fonseca, s\u00f3cio-diretor da firma de consultoria em imigra\u00e7\u00e3o EMDOC, ajuda os refugiados, desde 2011, a conquistar um espa\u00e7o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O Parr promove a conscientiza\u00e7\u00e3o das empresas para a situa\u00e7\u00e3o dos refugiados e solicitantes de ref\u00fagio e busca parcerias e apoio com empresas privadas e organiza\u00e7\u00f5es em prol do ref\u00fagio, al\u00e9m de auxiliar na elabora\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de curr\u00edculos. Segundo Mar\u00edlia Cintra, respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o do Parr, o projeto contava at\u00e9 2015 com 135 empresas cadastradas, a maioria ofertando vagas para auxiliar de servi\u00e7os gerais, auxiliar de limpeza, ajudante de obras, eletricista, costureira, recepcionista e officeboy.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2015 contamos 134 refugiados contratados atrav\u00e9s do Parr. Apesar de termos come\u00e7ado no final de 2011, foi apenas em 2014 que come\u00e7amos a movimentar mais este n\u00famero, somando quase 100 contrata\u00e7\u00f5es s\u00f3 naquele ano. Desde a cria\u00e7\u00e3o do projeto j\u00e1 foram cadastrados cerca de 1080 curr\u00edculos, o que faz do Parr o segundo maior banco de dados de refugiados e solicitantes aqui em S\u00e3o Paulo, atr\u00e1s apenas da Caritas&#8221;, afirma Mar\u00edlia.<\/p>\n<p>A Caritas-SP, atrav\u00e9s do <a href=\"http:\/\/caritas.org.br\/programas-caritas\/refugiados\">Centro de Acolhida para Refugiados<\/a>, faz a sele\u00e7\u00e3o daqueles que j\u00e1 podem inscrever o curr\u00edculo no programa, uma vez que est\u00e3o preparados psicologicamente e com a documenta\u00e7\u00e3o em dia. Entre as principais nacionalidades cadastradas est\u00e3o Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Nig\u00e9ria, S\u00edria, Angola e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<div id=\"attachment_2931\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/globalattitude.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/refugiados.jpg\" rel=\"attachment wp-att-2931\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2931\" class=\"wp-image-2931\" src=\"http:\/\/globalattitude.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/refugiados.jpg\" alt=\"refugiados\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2931\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.saopaulo-sp.org\/empregos\/cate-centro-de-apoio-ao-trabalhador-e-empreendedor\/\">Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo<\/a> (CATe), da Prefeitura de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m intermedeia postos de trabalho com empresas privadas e elabora curr\u00edculos, al\u00e9m de oferecer cursos de qualifica\u00e7\u00e3o e marketing profissional, emitir documentos como a Carteira de Trabalho, auxiliar na obten\u00e7\u00e3o do seguro-desemprego e na inscri\u00e7\u00e3o em cursos.<\/p>\n<p>Os atendentes fazem o cruzamento dos dados do candidato com as vagas dispon\u00edveis para localizar as mais adequadas ao perfil do trabalhador e, caso haja, o refugiado \u00e9 encaminhado ao processo seletivo.<\/p>\n<p>Segundo Luciana Cavalcanti, gerente do Programa de Diversidade e de Gest\u00e3o de Pessoas do CATe, as \u00e1reas que mais contratam s\u00e3o as de servi\u00e7os, como a de constru\u00e7\u00e3o civil, restaurantes e frigor\u00edficos, setores que mais empregam em S\u00e3o Paulo e n\u00e3o exigem a comprova\u00e7\u00e3o de escolaridade reconhecida no Brasil.<\/p>\n<p>At\u00e9 agosto de 2014, o CATe encaminhou quase dois mil imigrantes e refugiados a vagas e at\u00e9 o ano passado empregou sete refugiados para atendimento na unidade do CATe Luz (sendo de nacionalidade paquistanesa, congolesa e colombiana). L\u00e1, eles oferecem atendimento bil\u00edngue a imigrantes e refugiados que ainda n\u00e3o dominam o portugu\u00eas, al\u00e9m de atender pessoas com necessidades especiais e popula\u00e7\u00e3o LGBT e a ministrar palestras sobre o mercado de trabalho em diferentes idiomas.<\/p>\n<p><strong>Dificuldades<br \/>\n<\/strong>Apesar de todo apoio e pol\u00edticas de incentivo, os refugiados ainda se deparam com grandes dificuldades para conseguir emprego. A come\u00e7ar, a barreira do idioma \u00e9 um fator preocupante. A Caritas oferece cursos de portugu\u00eas atrav\u00e9s de parcerias com empresas e escolas, mas o n\u00famero de vagas n\u00e3o cobre a quantidade de pessoas na lista de espera, que aumenta a cada m\u00eas.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o est\u00e1 relacionada \u00e0 valida\u00e7\u00e3o de documentos e diplomas, que comprovam o n\u00edvel de escolaridade, forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ou universit\u00e1ria. Segundo Adelaide Guabiraba, assistente social da Caritas, os s\u00edrios s\u00e3o o grupo que chega mais preparado ao Brasil, apresentando mais documentos a ser validados. \u201cAt\u00e9 um tempo atr\u00e1s, angolanos e congoleses eram os que menos traziam documentos consigo, hoje em dia, por\u00e9m, percebo que eles v\u00eam mais preparados&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Adelaide explica, ainda, que os documentos devem passar por uma tradu\u00e7\u00e3o oficial e, no caso de diploma, seu reconhecimento pode levar dois anos para ser validado. &#8220;O refugiado que n\u00e3o traz diploma ou comprovante de conclus\u00e3o do equivalente ao Ensino M\u00e9dio tem que comprovar atrav\u00e9s de uma prova ou supletivo. Encaminhamos a um curso de supl\u00eancia em uma escola p\u00fablica pr\u00f3xima a ele e, em pouco tempo, o refugiado faz o que precisa para se formar no col\u00e9gio&#8221;.<\/p>\n<p>O caso de forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria ou t\u00e9cnica, por\u00e9m, \u00e9 mais complicado. O refugiado deve fazer uma prova oral e escrita de portugu\u00eas e depois uma prova t\u00e9cnica. &#8220;Muitos perdem por n\u00e3o ter conhecimento no idioma. Podem ser doutores em suas \u00e1reas, mas n\u00e3o sabem portugu\u00eas&#8221;, lamenta Adelaide. A prova para revalida\u00e7\u00e3o do diploma leva tempo para ser aprovada e, com isso, os refugiados procuram qualquer oportunidade de trabalho, na maioria das vezes fora da sua \u00e1rea de dom\u00ednio.<\/p>\n<p>&#8220;Eles t\u00eam necessidade de ganhar dinheiro para poder se manter e construir uma nova vida aqui. O maior orgulho deles \u00e9 o primeiro registro em uma Carteira de Trabalho. Significa o in\u00edcio da vida no Brasil&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Uma terceira dificuldade \u00e9 encontrada entre as empresas. Por falta de informa\u00e7\u00e3o, muitos donos de empresa t\u00eam receio de contratar refugiados por acharem que n\u00e3o s\u00e3o escolarizados ou criminosos que precisaram fugir do pa\u00eds de origem.<\/p>\n<p>&#8220;Sai um pouco do procedimento das empresas contratar um refugiado, porque ele n\u00e3o tem comprovante de resid\u00eancia e, muitas vezes, comprovante de escolaridade e a empresa tem que aceitar isso. Acho que mais que dificuldade, eles t\u00eam desconhecimento, achando que refugiado n\u00e3o \u00e9 qualificado, n\u00e3o teve educa\u00e7\u00e3o. Geralmente, quando vamos visitar uma empresa, contamos que os refugiados t\u00eam ensino t\u00e9cnico, superior e v\u00e1rios t\u00eam p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e isso deixa as pessoas surpresas&#8221;, comenta Mar\u00edlia.<\/p>\n<div id=\"attachment_2932\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/globalattitude.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/13116432_1116928425025129_5187438108455118027_o.jpg\" rel=\"attachment wp-att-2932\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2932\" class=\"wp-image-2932\" src=\"http:\/\/globalattitude.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/13116432_1116928425025129_5187438108455118027_o.jpg\" alt=\"13116432_1116928425025129_5187438108455118027_o\" width=\"600\" height=\"450\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2932\" class=\"wp-caption-text\">Caritas e Parr conscientizam empresas para a contrata\u00e7\u00e3o de refugiados. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/p><\/div>\n<p>Segundo Adelaide, uma cartilha foi criada com a finalidade de conscientizar e informar melhor as empresas sobre a contrata\u00e7\u00e3o de refugiados, o que tem ajudado a minimizar o preconceito e a sensibilizar para a causa do ref\u00fagio.<\/p>\n<p>&#8220;O que ainda existe \u00e9 o desconhecimento quanto \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, pois algumas empresas acreditam que a contrata\u00e7\u00e3o de refugiados segue uma l\u00f3gica e legisla\u00e7\u00e3o diferenciada, o que n\u00e3o \u00e9 verdade, pois desde que o refugiado esteja regularizado no pa\u00eds, poder\u00e1 fazer sua Carteira de Trabalho e ser contratado por qualquer empresa, de acordo com as normas trabalhistas brasileiras&#8221;, explica Luciana.<\/p>\n<p>A gerente conta, ainda, que existe um grande desconhecimento por parte das empresas e bancos em rela\u00e7\u00e3o ao documento do refugiado, o RNE, o que dificulta at\u00e9 mesmo a abertura de contas banc\u00e1rias. &#8220;Este \u00e9 um direito e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania firmou o Termo de Coopera\u00e7\u00e3o com os bancos p\u00fablicos Caixa Econ\u00f4mica Federal e Banco do Brasil, a fim de garantir a \u2018bancariza\u00e7\u00e3o\u2019 de imigrantes no munic\u00edpio\u201d.<\/p>\n<p>O CATe promove a\u00e7\u00f5es para orienta\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0s empresas, organizando tamb\u00e9m encontros e eventos que discutem a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores refugiados. O CATe conta com a parceria de cerca de 13 empresas, onde foram contratados 109 refugiados.<\/p>\n<p>A iraniana R.J. trabalhou durante 10 anos como guia de turismo em seu pa\u00eds. Atualmente, ela vive no Brasil h\u00e1 dois anos e explica que a dificuldade em encontrar emprego se tornou uma barreira que achava que n\u00e3o passaria. No seu primeiro ano como refugiada, R. afirma que enviou curr\u00edculos a mais de 60 empresas.<\/p>\n<p>&#8220;Foi muito dif\u00edcil pra mim. Estava desesperada, precisava de emprego. At\u00e9 que me aceitaram como gar\u00e7onete, mas n\u00e3o contei isso \u00e0 minha fam\u00edlia, porque essa profiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 vista com bons olhos no meu pa\u00eds. Passei alguns meses trabalhando escondido como gar\u00e7onete. N\u00e3o era um trabalho que esperava fazer, mas precisava dele&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>A iraniana, por fim, foi contratada como assistente de com\u00e9rcio em agosto de 2014. Vendendo livros, ela diz que sentiu dificuldade em se comunicar com clientes, que n\u00e3o entendiam seu portugu\u00eas: &#8220;isso me deixava frustrada, mas me agarrei ao emprego e tentava sempre melhorar&#8221;. Agora, a empresa passa por cortes para se manter e ter\u00e1 que desligar a iraniana de suas fun\u00e7\u00f5es. \u201cEstou de volta \u00e0 procura por emprego, mas me sinto mais confiante. Busco algo no setor de turismo, de prefer\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Mulheres<br \/>\n<\/strong>Entre as mulheres refugiadas, o desemprego \u00e9 ainda maior. Quando chegam ao Brasil, muitas est\u00e3o sozinhas, gr\u00e1vidas ou com filhos e, exclu\u00eddas de agarrar oportunidades nos setores de constru\u00e7\u00e3o e da ind\u00fastria pesada, suas chances de contrata\u00e7\u00e3o s\u00e3o menores. A falta de vagas em creches p\u00fablicas \u00e9 outro agravante para o problema, visto que n\u00e3o podem deixar os filhos sozinhos em casa ou lev\u00e1-los para o trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes sentimos sim dificuldades em recolocar mulheres, mas estamos em fase de elabora\u00e7\u00e3o de um projeto, em parceria com a ONU Mulheres e o Pacto Global, para abordar esta quest\u00e3o&#8221;, confirma Mar\u00edlia.<\/p>\n<p>Segundo Adelaide, muitas mulheres n\u00e3o trabalhavam em seus pa\u00edses de origem e acabam n\u00e3o encontrando no Brasil o apoio de outro adulto, cuidando de crian\u00e7as em idade escolar que, muitas vezes, estudam em escolas diferentes, o que complica ainda mais suas chances de assumir um trabalho. Muitas refugiadas, por\u00e9m, demonstram interesse em ter seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio na \u00e1rea de costura e artesanato.<\/p>\n<p><strong>Cadastrando uma empresa<br \/>\n<\/strong>Os interessados em cadastrar vagas de sua empresa no Parr devem acessar o site do programa (www.refugiadosnobrasil.com.br\/cadastro.asp) e informar os dados necess\u00e1rios. Quando finalizado, o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (Acnur) avaliar\u00e1 a empresa para aprov\u00e1-la ou n\u00e3o, seguindo crit\u00e9rios como n\u00e3o ter hist\u00f3rico de trabalho escravo e n\u00e3o ser dos setores de bebida, cigarros ou armamentos.<\/p>\n<p>J\u00e1 para cadastrar vagas no CATe, os empregadores devem entrar em contato com a Central de Capta\u00e7\u00e3o de Vagas atrav\u00e9s do telefone 3397-1507 ou pelo email solicitacaodevagas@prefeitura.sp.gov.br, cumprido o processo do cadastro, a vaga ficar\u00e1 dispon\u00edvel no Sistema Nacional de Emprego (Sine) e o CATe encaminhar\u00e1 candidatos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s tra\u00e7ar um incans\u00e1vel caminho pela sobreviv\u00eancia, os refugiados que chegam ao Brasil enfrentam um novo desafio para se inserir na sociedade: encontrar emprego regularizado. 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